A ILHA E A SUA TRANSFORMAÇÃO
Daqueles dias distantes em que eu cheguei aqui quase nada
resta, a não ser seus traços típicos, ou seja: ruas sinuosas ou com quebradas
abruptas, algumas lembram os “callejons” mexicanos, não pelas construções, mas
pelo formato. Hoje quase todas estão pavimentadas, sejam com bloquete ou
asfalto, o que significa um avanço importante para quem vivenciou caminhos
arenosos e quase intransitáveis em dias de chuva. Dos poucos veículos
motorizados que circulavam pela ilha é apenas uma lembrança, pois agora o vai e
vem destes meios de transportes já ultrapassam as expectativas, forçando a
instalação se um semáforo na principal confluência da localidade.
As casas também se modernizaram e algumas áreas antes
mantidas como “recantos” deram lugar a condomínios e até para construções com
dois ou mais pavimentos; os abrigos dos humildes habitantes só se vê em fotos
antigas ou nas pinturas do artista plástico Deocir. A modernidade trouxe
preocupação, pois o constante movimento fez com que os moradores se precavessem
e construíssem muros altos e protegidos.
Mas a Ilha dos Valadares não deixou de ser um lugar único e
acolhedor, com suas tradições e brejeirice do seu povo festeiro, religioso ou
recatado, que fica na janela a observar quem passa na rua. Ué, diz o mais
antigo morador, fulano agora não pisa mais em lama e nem molha o pé, pois anda
só de automóvel.

Ótimo
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