domingo, 26 de outubro de 2025

 

A Opção Preferencial pelos Marginalizados no Ministério de Jesus e sua Continuidade na Igreja Contemporânea

Jesus, durante o seu ministério, desde o início da sua pregação, manifesta claramente a sua opção pelos marginalizados da sociedade, conforme narrado em Lucas 4, 18-19. Ele direciona seu olhar e sua ação para os pobres, as viúvas, as mulheres estéreis, as prostitutas, os sofredores e os mais vulneráveis, ou seja, os "últimos.

Ao longo de sua trajetória, percebemos que Jesus convive, se identifica e prefere os mais humildes. Seus apóstolos foram escolhidos do meio do povo – pescadores, cobradores de impostos – indivíduos que, muitas vezes, não eram bem vistos pela sociedade. Nos Evangelhos, Jesus evidencia essa preferência por aqueles que eram invisíveis aos olhos da sociedade, os “deixados de lado”. As bem-aventuranças, de maneira clara, reforçam que os marginalizados terão lugar no Reino de Deus, assim como aqueles que os acolhem.

Jesus de Nazaré esteve plenamente inserido e identificado com o seu povo. Além de compartilhar sua vida com as pessoas, sua mensagem os orienta para questões fundamentais da vida humana. Entre essas, é sua opção pelos marginalizados, pelos pobres e pelos fracos. Muitos o consideraram como profeta, e outros o acolheram como o messias.

No contexto brasileiro, a Igreja, por meio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reafirma essa preocupação. Em consonância com a Doutrina Social da Igreja, a CNBB destaca a “Opção Preferencial pelos Pobres”, tema amplamente abordado em seus documentos, principalmente no documento de Aparecida.  Estes reiteram que a justiça social deve começar pelos pobres e excluídos, defendendo sua dignidade e direitos. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil também ressaltam a necessidade de uma ação pastoral que priorize os marginalizados, não apenas como um gesto de caridade, mas como uma exigência evangélica.

A Igreja nos ensina que devemos ter preferência pelos pobres, em conformidade com as escolhas de Jesus. No entanto, será que, na prática, isso está sendo de fato exercido? Os ministros e o povo da Igreja estão, de fato, ao lado dos mais necessitados? Dos mais distantes? Dos afastados de Deus?

Ainda que a Igreja busque incessantemente dar voz e vez aos mais fracos, preocupando-se em garantir sua dignidade e direitos básicos, além de oferecer conforto espiritual, estamos longe do ideal. Muitas paróquias ainda não estão preparadas para levar a Boa Nova de Jesus àquelas que mais serão convocadas. Muitas vezes, limitam-se as ações de caridade e celebrações nos centros urbanos, deixando a desejar no que se refira a um pastoreio mais próximo das ovelhas, que frequentemente estão sem rumo e sem um pastor para guiá-las. E aqui nos recordamos das palavras de Jesus no Evangelho de Marcos 9, 36 “como ovelhas sem pastor”, muitas famílias muitas comunidades cada vez mais necessitam de um acolhimento espiritual um abraço fraterno da Igreja que neste sentido está bastante distante na prática.

         Infelizmente, nos dias atuais, muitos “cristãos católicos” estão na contramão da doutrina social da igreja, em nome de ideologias, tanto da direita como da esquerda, uns combatendo os outros, os da direita dizendo que a Igreja e até o Papa são socialistas, comunistas, marxistas, quando falam em igualdade social, quando defendem a dignidade humana, já os da esquerda denunciam a outra ala de idólatras do dinheiro e do lucro exploradores dos mais necessitados. Quando deveríamos estar todos em unidade com a Igreja com o único olhar que é Jesus Cristo, colocar Cristo em nosso olhar e perguntar: o que Cristo faria aqui.

         Sabemos muito bem que quando na Igreja entra as ideologias tudo se perde, pois quando a defesa dos marginalizados vem com viés socialista, comunista, marxista, temos o grande perigo de estar acompanhado de ditaduras, de censuras, de pobreza cultural, educacional entre outras, e da mesma forma quando a ideologia do capitalismo puro exerce sua força, busca o lucro o dinheiro a qualquer custo em detrimento dos irmãos menos favorecidos, ambas os extremos são maléficos para a Igreja, estão contrarias as vontades e aos ensinamentos de Cristo.

Portanto, como cristãos católicos, é necessário estar mais atentos às necessidades do povo de nossos dias. Não podemos olhar nem para a direita nem para a esquerda, temos que fixar nosso olhar em Jesus Cristo. Em tempos desafiadores, nos quais a família e o próprio Deus são relativizados, precisamos compensar a nossa forma de viver a missão que Jesus nos deixou e sair ao encontro dos que mais precisam, os "últimos".

Texto de: Leomar Reni Pivetta – Estudante de Teologia (UNINTER).

 

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