A Opção
Preferencial pelos Marginalizados no Ministério de Jesus e sua Continuidade na
Igreja Contemporânea
Jesus, durante o
seu ministério, desde o início da sua pregação, manifesta claramente a sua
opção pelos marginalizados da sociedade, conforme narrado em Lucas 4, 18-19.
Ele direciona seu olhar e sua ação para os pobres, as viúvas, as mulheres
estéreis, as prostitutas, os sofredores e os mais vulneráveis, ou seja, os
"últimos.
Ao longo de sua
trajetória, percebemos que Jesus convive, se identifica e prefere os mais
humildes. Seus apóstolos foram escolhidos do meio do povo – pescadores,
cobradores de impostos – indivíduos que, muitas vezes, não eram bem vistos pela
sociedade. Nos Evangelhos, Jesus evidencia essa preferência por aqueles que
eram invisíveis aos olhos da sociedade, os “deixados de lado”. As
bem-aventuranças, de maneira clara, reforçam que os marginalizados terão lugar
no Reino de Deus, assim como aqueles que os acolhem.
Jesus de Nazaré
esteve plenamente inserido e identificado com o seu povo. Além de compartilhar
sua vida com as pessoas, sua mensagem os orienta para questões fundamentais da
vida humana. Entre essas, é sua opção pelos marginalizados, pelos pobres e
pelos fracos. Muitos o consideraram como profeta, e outros o acolheram como o
messias.
No contexto
brasileiro, a Igreja, por meio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil), reafirma essa preocupação. Em consonância com a Doutrina Social da
Igreja, a CNBB destaca a “Opção Preferencial pelos Pobres”, tema amplamente abordado
em seus documentos, principalmente no documento de Aparecida. Estes reiteram que a justiça social deve
começar pelos pobres e excluídos, defendendo sua dignidade e direitos. As
Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil também ressaltam a
necessidade de uma ação pastoral que priorize os marginalizados, não apenas
como um gesto de caridade, mas como uma exigência evangélica.
A Igreja nos
ensina que devemos ter preferência pelos pobres, em conformidade com as
escolhas de Jesus. No entanto, será que, na prática, isso está sendo de fato
exercido? Os ministros e o povo da Igreja estão, de fato, ao lado dos mais
necessitados? Dos mais distantes? Dos afastados de Deus?
Ainda que a Igreja
busque incessantemente dar voz e vez aos mais fracos, preocupando-se em
garantir sua dignidade e direitos básicos, além de oferecer conforto
espiritual, estamos longe do ideal. Muitas paróquias ainda não estão preparadas
para levar a Boa Nova de Jesus àquelas que mais serão convocadas. Muitas vezes,
limitam-se as ações de caridade e celebrações nos centros urbanos, deixando a
desejar no que se refira a um pastoreio mais próximo das ovelhas, que
frequentemente estão sem rumo e sem um pastor para guiá-las. E aqui nos
recordamos das palavras de Jesus no Evangelho de Marcos 9, 36 “como ovelhas
sem pastor”, muitas famílias muitas comunidades cada vez mais necessitam de
um acolhimento espiritual um abraço fraterno da Igreja que neste sentido está
bastante distante na prática.
Infelizmente, nos dias atuais, muitos “cristãos
católicos” estão na contramão da doutrina social da igreja, em nome de
ideologias, tanto da direita como da esquerda, uns combatendo os outros, os da
direita dizendo que a Igreja e até o Papa são socialistas, comunistas,
marxistas, quando falam em igualdade social, quando defendem a dignidade
humana, já os da esquerda denunciam a outra ala de idólatras do dinheiro e do
lucro exploradores dos mais necessitados. Quando deveríamos estar todos em
unidade com a Igreja com o único olhar que é Jesus Cristo, colocar Cristo em
nosso olhar e perguntar: o que Cristo faria aqui.
Sabemos muito bem que quando na Igreja
entra as ideologias tudo se perde, pois quando a defesa dos marginalizados vem
com viés socialista, comunista, marxista, temos o grande perigo de estar
acompanhado de ditaduras, de censuras, de pobreza cultural, educacional entre
outras, e da mesma forma quando a ideologia do capitalismo puro exerce sua
força, busca o lucro o dinheiro a qualquer custo em detrimento dos irmãos menos
favorecidos, ambas os extremos são maléficos para a Igreja, estão contrarias as
vontades e aos ensinamentos de Cristo.
Portanto,
como cristãos católicos, é necessário estar mais atentos às necessidades do
povo de nossos dias. Não podemos olhar nem para a direita nem para a esquerda,
temos que fixar nosso olhar em Jesus Cristo. Em tempos desafiadores, nos quais
a família e o próprio Deus são relativizados, precisamos compensar a nossa
forma de viver a missão que Jesus nos deixou e sair ao encontro dos que mais
precisam, os "últimos".
Texto de: Leomar
Reni Pivetta – Estudante de Teologia (UNINTER).
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