domingo, 28 de setembro de 2025

 

Ter compaixão dos que têm fome

Por Clarício de Araújo

 

A Parábola do Rico e Lázaro no faz lembrar que há muitos que têm em excesso e outros que nada possui, em se tratando de alimentos e portanto, passam necessidade e entram para o número dos que vivem em insegurança alimentar. Aqueles que são privilegiados pela sorte desperdiçam alimentos, exagerando nos banquetes sem pensar nos que passam fome; os “lázaros de hoje” vivem mendigando às portas dos abastados por um pouco de comida e são ignorados. Às vezes são até maltratados e expulsos como se fossem bichos.

O rico da Parábola é aquele que não se solidariza com os sofredores, os “lázaros”, e quando deixa este mundo não encontra a misericórdia de Deus. Já os pobres recebem a recompensa do Céu; não há mal algum em ser rico de bens. No entanto, é preciso ser também rico de coração e ter compaixão dos que têm fome, partilhando aquilo que tem à mesa ou outra forma de ajuda, pois os desassistidos carecem de muitas coisas e precisam de atenção por parte daqueles que são aquinhoados pelas regalias.

Os que têm compaixão dos sofredores alcançarão a recompensa eterna, pois o próprio Deus, na pessoa de Jesus foi solidário com os que tinham fome, fazendo o milagre da multiplicação dos pães. Da mesma forma, aqueles que se solidarizam com os famintos, terão seus bens multiplicados e encontrarão descanso no seio de Abraão.

Este são aqueles que ouvem a voz de Deus através dos profetas na Terra e praticam a caridade, ao contrário dos que praticam atos egoístas e esperam que haja intervenção divina para amenizar seus sofrimentos em razão de seus gestos mesquinhos. Há um grande abismo separando os que estão no Paraíso e aqueles que não têm a luz de Deus.

sábado, 27 de setembro de 2025

 

Dom Paulo Romão toma posse como 5º bispo da Diocese de Paranaguá





                                   Fotos: Clarício de Araújo

Por Clarício de Araújo

Em cerimônia realizada na Catedral Diocesana de Paranaguá na manhã do dia 27 do corrente, às 10 horas, Dom Paulo Alves Romão tomou posse como 5º bispo de Paranaguá. A celebração eucarística foi iniciada pelo epíscopo fluminense, cardeal Dom Orani João Tempesta e continuada pelo novo mandatário diocesano, após o recebimento do Báculo de pastor pelas mãos de Dom Orani e Dom Bruno. A Bula de Nomeação Apostólica foi lida pelo Chanceler do Bispado, padre Fábio Lima.

Antecedendo a cerimônia religiosa, houve apresentação da Fanfarra do Colégio Diocesano “Leão XIII” em homenagem ao novo bispo em frente a Catedral.

Em sua fala, o novo bispo disse querer estar em todas as comunidades da Diocese para ouvir todas as pessoas, pois como pastor, deseja se inteirar da realidade de cada paróquia, de cada pastoral e associação religiosa.

O evento religioso contou com as presenças dos presbíteros que integram a Cúria Diocesana, diáconos, religiosas, bispos do Paraná e Rio de Janeiro, além de diversas autoridades civis do Estado e de Paranaguá nas pessoas do prefeito Adriano Ramos e da vice-prefeita Fabiana Parro.

Ao final da cerimônia, Dom Paulo foi cumprimentado pelos bispos e autoridades; o até então administrador apostólico, Dom Bruno Versari, assim como Dom Orani e Dom Paulo receberam um vaso de flores, como forma de gratidão e carinho dos católicos da Diocese de Paranaguá.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

 

Continuar servindo

Por Clarício de Araújo

Desde muito jovem eu já trazia comigo essa necessidade de anunciar Jesus, tanto que muitas vezes me “aventurei” em idas para o município de Guaraqueçaba com o intuito de falar para as pessoas sobre o Reino de Deus.

Lembro que certa vez eu e um amigo que já não está mais entre nós, embarcamos em uma lancha que fazia transporte de barris de óleo diesel para Guaraqueçaba, pois naquela época, por volta de 1975, a energia elétrica daquela cidade era fornecida por um gerador instalado no prédio que hoje é a Câmara Municipal.

Chegando lá, nos apresentamos ao bondoso padre Mário, que nos recebeu com alegria e logo nos encaminhou para a comunidade de Medeiros, localidade que está situada no interior da baía das Laranjeiras na parte Leste. Permanecemos no lugar por uma semana realizando encontros com as crianças e jovens.

Alguns anos depois, me dirigi sozinho para aquele município e fui enviado para a Ilha das Peças, na vila do mesmo nome, uma vez que aquele território insular abriga várias comunidades, onde fiquei também por oito dias, sempre realizando encontros para os pequenos e jovens; ali também em outra ocasião, tive a honra de dirigir o Culto durante o novenário do padroeiro São Sebastião e também acompanhar a procissão como dirigente. Na mesma Ilha das Peças, desta feita na comunidade de Laranjeiras, que hoje não existe mais, também realizei Culto e pregação da Palavra.

Juntamente com o padre Mário e as irmãs de Guaraqueçaba, como eram chamadas as freiras da Congregação de São João Batista, visitei as localidades de Ilha Rasa, Mariana, Tibicanga e Guapicu, que está localizada também na Ilha das Peças. Todas essas viagens foram realizadas com a lancha “São João Batista”, uma embarcação apropriada para o trabalho missionário no município de Guaraqueçaba. A Diocese teve também o barco “Santa Maria”.

Mais recentemente, como ministro extraordinário da Sagrada Comunhão, estive nas comunidades de Amparo, Piaçaguera e São Miguel que fazem parte da Paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes; nestes locais foram realizadas as Celebrações da Palavra, visitas e festas dos padroeiros. Também acompanhei o saudoso bispo Dom Alfredo nas visitas da imagem peregrina de Nossa Senhora do Rocio no ano 2001 em oito comunidades em torno das baías de Paranaguá e das Laranjeiras.

Confesso que todas essas minhas “andadas” pelo litoral, foram muito poucas, uma vez que a Missão exige muito mais e maior esforço para que o Reino de Deus seja propagado. Hoje, embora não seja mais jovem, dentro de mim há o desejo de continuar este trabalho que é de fundamental importância para o anúncio da Palavra.

Estou esperançoso que eu seja enviado para o trabalho missionário em nossa Diocese. Tenho isso em minha mente e muita expectativa de continuar servindo, pois, mesmo com a minha idade, que já passou dos 70 anos, me encontro disponível e com enorme vontade de falar das coisas da Igreja Católica, Apostólica e Romana. O tempo dirá...

 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

 

“Ide pelo mundo...”

Por Clarício de Araújo

Iniciada com a escolha dos 12 apóstolos (núcleo histórico a Igreja), Jesus partilhou com estes os propósitos da missão. Portanto, a Igreja que se espalhou pelo mundo, (por isso o termo “católica”), após separar-se do mundo judaico, passou a ter uma nova visão e ganhou espaço em todo o universo.

Os primeiros a transmitir o cristianismo criaram núcleos de fé nos grandes centros urbanos da época e por fim, seguidores se espalharam até que se chegou nos tempos modernos, ganhando a forma que conhecemos hoje. Isto é, como organização constituída por uma hierarquia que tem o papel de mantê-la fiel às suas origens e ao mesmo tempo dar-lhe uma configuração de instituição séria e autêntica.

A Igreja Católica, portanto, sempre guiada pelo Espírito Santo, como instituição divina, através dos sucessores de Pedro, que foi chamado pelo próprio Jesus para apascentar suas ovelhas, se mantém fiel ao chamado para anunciar o Evangelho por toda a Terra.

Voltemos aos primórdios da evangelização, quando os primeiros cristãos se reuniam, a princípio nas sinagogas e depois nas casas para celebrar a Eucaristia, onde já se tinham as figuras dos bispos e presbíteros, mesmo que não se apresentassem caracterizados como temos hoje.

A Igreja portanto, ao longos desses séculos continua viva e atuante diante de muitas situações que passou e continua passando, sempre voltada para a o anúncio do Reino de Deus e consequentemente, tendo seus olhares para a realidade em sua volta.

É uma Igreja que sempre esteve e sempre estará atenta às necessidades do povo, visando a promoção humana e o bem estar de todas as pessoas; sua fundamentação está expressa nas palavras de Jesus: “ide pelo mundo, anunciai o Evangelho a toda a criatura, batizando-a em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Aqui entra a função específica de cada um na Igreja: só os presbíteros e outros ministros ordenados podem realizar o batismo, já os leigos instruídos na fé, podem pregar a Palavras e distribuir a Eucaristia (Ceia).

Nós, os batizados, somos os novos convocados para anunciar, encorajados pelo Espírito Santo e cheios de alegria para servir, através das nossas ações, mas também pela nossa disposição de sairmos dos holofotes e das comodidades dos templos para levarmos as Boas Novas àqueles que estão sem assistência espiritual. Nada valerão palavras se não forem acompanhadas de ações concretas.

A nossa prática cristã lembra da parábola dos Talentos, quando Deus confia a cada pessoa dons – talentos para que sejam usados para o crescimento do Reino de Deus; Ele um dia, certamente ao retornar, pedirá conta. Aquele que multiplicar, isto é, fazer crescer este Reino, participará da alegria do Mestre, enquanto o que restringir a si o conhecimento, por certo será chamado de servo mau.

domingo, 7 de setembro de 2025

 

Jesus é o Senhor de todas as coisas

Por Clarício de Araújo

Viver a fé de forma intensa não é somente frequentar com assiduidade as atividades religiosas, mas vivenciá-la efetivamente as 24 horas do dia, isto é, estar em sintonia com as práticas da religião, orando e praticando as ações propostas pelos ensinamentos de Jesus sempre. Não ser apenas cristão de ocasião ou de oportunidade, mas ter esta determinação enraizada dentro do coração para que ela se expresse em gestos verdadeiros e, assim, transmitir as verdades do Reino de Deus pelos exemplos que se traz estampados na fisionomia.

Ter atribuições na igreja é significativo, mas não justifica o título de cristão; basta apenas praticar a fé, mas se nos solicitam ocupar alguma função, que a façamos por amor e sem ostentação. Que o nosso servir seja a nossa maior alegria e que quando esta missão findar, possamos nos sentir honrados por ter contribuído com o Serviço do Senhor.

Não nos ufanemos com os cargos que por ventura ocupamos na igreja. Mas que eles sirvam para fazer crescer a comunidade eclesial, despertando interesse cada vez maior pela vida espiritual dos irmãos, fazendo com estes se incluam no números dos escolhidos, mesmo que não tenham um cargo ou um trabalho específico. Ninguém é especial e não somos absolutos nas atividades religiosas, mas Jesus é o Senhor de todas as coisas.

06/09/2025


sábado, 6 de setembro de 2025

 

Novo bispo da Diocese de Paranaguá é apresentado ao povo; posse será dia 27

Por Clarício de Araújo

 

Dom Bruno (à esq.) e Dom Paulo

Celebração da Missa


Autoridades municipais prestigiaram o evento 

Fiéis acolhendo o novo bispo

Dom Paulo,  padre Emerson (pároco da Catedral) e padre Thiago


Na tarde do dia 5, em entrevista realizada no salão paroquial da Catedral Diocesana, Dom Paulo Alves Romão falou com os jornalistas sobre a sua nomeação, suas expectativas e a nova missão frente ao povo de Deus espalhado pelos 13 municípios que integram a Diocese de Paranaguá. Ele estava acompanhado pelo bispo de Ponta Grossa e administrador apostólico Dom Bruno Elizeu Versari (esta é uma praxe do processo de transição do cargo).

Abrindo a coletiva de imprensa, Dom Bruno saudou o recém nomeado pastor: “Bem-vindo Dom Paulo, seja acolhido. Aqui está o teu povo, o povo que Deus confia ao senhor a missão de ser pastor nesta Diocese”.  Segundo Dom Bruno, o novo bispo de Paranaguá foi escolhido em apenas três meses da vacância da Diocese, um tempo bastante rápido e agora está sendo apresentado para sua nova missão.

Em sua fala, o novo bispo, disse: “Estou muito feliz, por uma única razão: graças a Deus a vocação que o Senhor nos dá e como bispo vou poder encontrar tantas pessoas, poder falar para todos da beleza de ser cristão. Da maravilha que é ter encontrado Jesus Cristo e nesse encontro com ele, descobrir o verdadeiro sentido da nossa vida, a beleza de viver a fé; amar, seguir e acolher o chamado do Senhor e confirmar tantos e tantos homens e mulheres, jovens, na fé”.

Às 19 horas, aconteceu a celebração da missa, presidida por Dom Bruno e concelebrada por Dom Paulo e vários padres, onde os fiéis conheceram o seu novo pastor. Além de um número bastante expressivo da população, também prestigiaram o ato religioso, membros da administração municipal, nas pessoas do prefeito Adriano Ramos, da vice-prefeita Fabiana Parro e do secretário de Cultura, José Reis de Freitas Neto bem como outros integrantes do Poder Executivo.

A posse do novo bispo está marcada para o próximo dia 27 às 19 horas, quando ele assumirá o território episcopal sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário, oportunidade em que presidirá pela primeira vez a celebração eucarística na Sé de Paranaguá. Está prevista a vinda de vários bispos e padres que conviveram com Dom Paulo na Arquidiocese do Rio de Janeiro, local onde ele foi eleito bispo em 2017.

 

05/09/2025


sexta-feira, 5 de setembro de 2025

 

“Operários” da Palavra

 

Clarício de Araújo Cardoso

 

“A igreja, só é, de fato, igreja se estiver para o outro, e, à luz do seu Mestre, Jesus, é uma comunidade que se faz presente no mundo se importando com os problemas e as aflições do povo, agindo como o próprio Cristo agiu, oferecendo paz e justiça, valores intrinsecamente integrantes do Reino de Deus”, disse Dietrich Bonhoeffer (teólogo).

Esse conceito, sem dúvida é uma assertiva da proposta do próprio Jesus ao enviar seus apóstolos pelo mundo, para anunciarem o Evangelho a todas as pessoas; este anúncio vai além da pregação da Palavra, pois, antes se fez necessário que os evangelizados estivessem unidos e sem nenhuma situação de dignidade que os fizessem passar por alguma necessidade, tanto que, aqueles que possuíam muitos bens, vendiam e levavam os valores aos pés dos apóstolos para que fossem repartidos entre os menos favorecidos. Essa é a Igreja de Jesus Cristo, Igreja de justiça, de solidariedade, fraternidade, misericórdia e amor.

É também a Igreja que celebra toda a vida de Jesus e permite que todos façam parte da Ação de Graças e assim, se unam com o céu em um verdadeiro e único momento profundo de amor e agradecimento por tudo aquilo que Deus nos concede; a celebração Eucarística nos coloca em sintonia com todos os povos e nos faz irmãos sem distinção de raça, credo ou ideologia. Não é aquela que distingue, separa e oprime; diz que é de Cristo mas isola quem não comunga da sua doutrina.

A verdadeira Igreja nos faz uns para os outros e dessa forma vai mostrando o Reino de Deus a quem quiser aderir, pois Ele nos fez livres para escolher; não se impôs e nem impõe que o sigam. Deixa-se conhecer, se revela e cuida de todos. Assim, aqueles que aderem à missão, caminham na certeza de que se está no rumo certo, abrindo-se à causa do Reino; fazem-se “operários” da Palavra não se importando para onde vão, mas o fazem com amor e por amor àquele que os enviou. Dessa forma, todos os que se põem a caminho, fazem do lugar onde semeiam, uma celeiro de paz onde Deus se faz presente no meio do povo.

 

12/09/2022

 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

 

A glória das Bem-Aventuranças

Clarício de Araújo

“Na medida em que fores grande, deverá praticar a humildade e assim encontrarás graça diante do Senhor”, diz um trecho do livro do Eclesiástico.

Estas palavras nos levam a refletir sobre as nossas atitudes, pois nos achamos mais importantes que os outros ao pesar nosso grau de escolaridade; o conhecimento acadêmico, pelo contrário, deverá servir para promover aqueles que precisam de atenção e apoio. De nada valem os discursos recheados de palavras bonitas se não praticarmos a justiça social, a caridade, o amor e solidariedade para com aqueles que estão à margem da sociedade.

Se dizemos que pertencemos a uma determinada denominação religiosa e ignoramos o que a sociedade tacha de “empecilho” ou “resto”, simplesmente nos colocamos no lugar daquele que se julga superior ou melhor que os nossos semelhantes. Com isso nos distanciamos da misericórdia de Deus.

Portanto, como cristãos que nos dizemos ser, é importante seguir fielmente os ensinamentos de Jesus, sem meias atitudes, pois não há lugar para falsas aparências, uma vez que só os quem praticam as normas do Reino de Deus, viverão felizes. Estes receberão a glória das Bem-Aventuranças.

31/08/25

  Ilha mais habitada do Paraná tem estrutura de cidade Por Clarício de Araújo Localizada na área urbana de Paranaguá, no litoral do Esta...