sábado, 15 de março de 2025

 

Uma

Uma ilha e quatro formas de travessia

(Hoje é    um “paraíso”)

Por Clarício de Araújo

Olhando a facilidade que hoje se tem para atravessar o rio Itiberê, me vem à lembrança os tempos em que fazer essa travessia era coisa demorada e bastante difícil, já que a passagem para o outro lado do rio, ou seja, para o continente era realizada por pequenas embarcações, (canoas e bateiras). Naquela época o rio era bem mais largo. Uma das primeiras barcas a fazer a travessia era do Sr.  Jorge Lacerda, com o nome “Leonilda”. Teve ainda um outro prestador deste serviço, o Sr. Benigno, com o barco “Ney”. Só mais tarde foi que vieram as lanchas da Cooperativa de Transporte Marítimo, denominadas de “Valadares”, por iniciativa do estivador e ativista político João Teixeira. Posteriormente vieram os serviços de barcas particulares do Sr. Tomé Gabriel Sobrinho, com as embarcações “29 de Julho” e “Maralice”, além de uma outra, que não lembro o nome mas era conhecida por “Chata”, devido ao seu formato, e de um outro senhor chamado Belo, com o barco de nome de “Jibóia”.

Anos depois vieram as lanchas da Emdepar – Empresa de Desenvolvimento de Paranaguá, que quase não suportavam a demanda dos passageiros e viviam dando problemas. Às vezes era questão de logística, às vezes eram os valores altos da passagem. Por essas situações, voltou a prática do transporte por bateiras, criando uma espécie de concorrência com os serviços de lanchas, fazendo com que a Capitania dos Portos intervisse e proibisse esse meio. Por fim tudo isso foi superado com a construção da passarela na gestão do prefeito José Vicente Elias. No entanto, o advento desta sonhada “ponte”, resolveu em parte a situação dos insulanos, uma vez que a mesma era estreita e quando circulava algum veículo motorizado (carro do Corpo de Bombeiros, ambulância ou da Polícia), era um caos, pois os pedestres tinham que se encostar no guarda-corpo para dar passagem ao automóvel; veículos particulares eram proibidos, a não ser com autorização especial.

A balsa veio para resolver esse problema, porém os valores cobrados pelo serviço eram considerados altos para os moradores e quando se tratava de caminhões, o valor era mais alto ainda, refletindo nos preços dos alimentos comercializados nos mercados locais. Os horários para a travessia pela balsa também não condiziam com a realidade dos moradores e então esta modalidade de travessia deixava muito a desejar. Com a construção de uma ponte de fato, tudo isso ficou no passado, pois, o tráfego de veículos é realizado com fluidez permitindo que qualquer tipo de veículo passe de forma rápida e segura, uma vez que ela é exclusiva para carros e caminhões. Com o seu advento, hoje se faz a travessa de ônibus até a Rodoviária facilitando o acesso às outras linhas que levam os operários e demais pessoas aos seus locais de trabalho ou estudo. Pode-se dizer que os moradores da ilha estão no “paraíso”, se forem comparar com os anos de 1970. Diga-se de passagem, a Ilha dos Valadares atualmente é mais bem servida do que muitos municípios por esse Brasil afora.

 

 

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

  Ilha mais habitada do Paraná tem estrutura de cidade Por Clarício de Araújo Localizada na área urbana de Paranaguá, no litoral do Esta...