domingo, 9 de março de 2025

 

As nossas jovens tardes de domingo    

Por Clarício de Araújo

Já me reportei sobre a minha juventude na Ilha dos Valadares, bem como sobre muitos companheiros e amigos contemporâneos que ainda estão em nosso meio e alguns já estão na presença de Deus.

Foi um tempo muito significativo, pois estávamos formando nossas personalidades e nos abrindo para o mundo, isto é, para a sociedade, uma vez que aqueles anos juvenis eram o início das nossas caminhadas de forma independe pois começava ali a preparação para o ingresso no curso ginasial, como era chamado o Ensino Médio, pela feitura dos documentos pessoais e também o surgimento das primeiras “paixões” que marcariam indelevelmente as nossas vidas.

Os dias vividos pareciam infindáveis, tanto eram os momentos bons na companhia dos amigos e amigas, pessoas que nos proporcionavam uma contagiante felicidade; eram encontros religiosos, festinhas americanas ou passeios nos arredores da cidade ou em outros municípios. Porém a nossa narrativa prende-se às tardes de domingo, quando então o grupinho se reunia após a missa das 17 horas nas escadarias da igreja para uma descontração salutar, oportunidade em que a conversa rolava solta, os “namoricos” se expunham e os talentos artísticos se revelavam na mãos de violonistas excelentes que executavam belas canções.

Assim eram os nossos domingos, sempre repleto de momentos saudáveis, fazendo-nos protagonistas de um tempo inolvidável; hoje, apesar de se passarem muitos anos, eu ainda me vejo junto com todo aquele grupo sentado nas escadarias, ouvindo João Cotinga, Cinho, Alfeu, Jó, Silas, Cézar de Guaraqueçaba, entre outros, dedilhando seus violões e dando alma à tantas canções bonitas que eram tocadas nas rádios e a gente então se sentia maravilhado. Éramos todos jovens sonhadores... Que saudade!

 

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