quinta-feira, 27 de novembro de 2025

 

A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA NA AUSÊNCIA DO PRESBÍTERO

Por Clarício de Araújo

O domingo, dia do Senhor e dia da Ressurreição, tem duas raízes naquele “primeiro dia da semana”, no qual Jesus, depois de ter passado pela morte, apareceu aos apóstolos, se repetindo oito dias depois e naturalmente “no primeiro dia” das semanas seguintes até a assunção. Esse gesto passa a marcar o rito semanal da celebração do mistério pascal da sua morte e ressurreição.

Desde esta época até hoje a Igreja nunca deixou de celebrar este mistério, entendendo como “Dia do Senhor”, dia de alegria entre os cristãos que se reúnem para a Eucaristia dominical com a comunidade cristã. Além da fração do pão, se proclama a Palavra, cuja celebração pode-se denominar de “Dia da Palavra”; nos primeiros séculos os cristãos compreenderam que não se podia deixar de celebrar o domingo, a ponto de muitos deles preferirem o martírio a abandonar a assembleia dominical.

A Igreja continua a acreditar no valor salvífico do domingo e a sua importância para as comunidades cristãs, mesmo que sejam pequenas, insistindo que neste dia “devem os fiéis reunirem-se para participar na Eucaristia e ouvirem a Palavra de Deus, e assim recordarem a Paixão e a Glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os “regenerou para uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo ente os mortos” (1 Pe. 1,3).

Portanto, as celebrações dominicais na ausência do presbítero oferecem aos cristãos alguns dos elementos essenciais para haver assembleia dominical, a saber, a reunião dos fiéis convocada por Deus, a proclamação da Palavra de Deus acompanhada da sua explicação, e a comunhão do Corpo do Senhor consagrado em outra celebração eucarística. Assim, as comunidades menores e afastadas da Matriz podem também celebrar o Dia do Senhor e participar do Pão da Vida, tanto da Palavra como do Corpo de Cristo. A Celebração da Palavra não se compara à Missa dominical, mas é um ato supletivo.  Ela não substitui a Santa Missa, mas não deixa de ser significativa na vida das comunidades, uma vez que, mesmo com a impossibilidade da presença do padre, exige-se   que se faça a Celebração dominical através de um Ministro da Palavra (leigo com domínio do rito romano e com conhecimento da Palavra de Deus), indicado pelo pároco e confirmado pelo bispo.

As comunidades que recebem o Ministro Extraordinário da Palavra devem estar cientes de que se trata da Celebração da Palavra e não do Sacrifício da Missa, embora a condução de tal ato esteja de conformidade com o Ritual Romano; não se faz o Rito da Comunhão (apenas as palavras anunciando a presença de Jesus); não há o envio, mas, apenas o “Vamos em Paz e que o Senhor nos acompanhe”.

Dessa forma, haverá mais integração entre as capelas e a Matriz e naturalmente entre todos os paroquianos, formando uma verdadeira comunidade de Amor e Fraternidade, mas sempre lembrando que a presença do presbítero é fundamental e necessária para o fortalecimento da Igreja. Assim que houver oportunidade, que se realize o Sacrifício da Missa nessas comunidades, de maneira que todos possam participar do Mistério Pascal.

27/11/2025

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