Os Velhos
Tempos só
na
Lembrança
Clarício
de Araújo
Parece que foi ontem que eu pisei na
terra da Ilha dos Valadares, mas lá se vão 65 anos. Cheguei aqui em um tempo
inóspito. Hoje a ilha está transformada, quase irreconhecível dos tempos
dantanhos, mas, sempre acolhedora. Me vi menino, correndo pelos caminhos que
cortavam o seu território; as noites de breu, amedrontavam, pois “havia”
fantasmas, bruxas voando, cavalo sem cabeça, saci-pererê...; atravessar o rio
para alcançar a cidade era uma aventura, pois deste lado da cidade até o
centro, levava-se muito tempo, enfrentando a correnteza, ora a favor, ora
contra, sem contar que a distância era maior.
Aqui vivenciei bons momentos ao lado
de vários companheiros e familiares; nos bancos escolares do antigo Grupo
Escolar aprendi as primeiras letras do alfabeto. Me envolvi nas atividades
religiosas na denominação católica, além de integrar os quadros de três
entidades associativas. Aqui dei os primeiros
passos para o jornalismo, ainda que fossem tímidos, mas já anunciando o desejo
de integrar o mundo das comunicações. E
agora nos meus 71 anos de vida e 65 anos na ilha, ainda me sinto disposto a
continuar dando um pouco de mim para a sua evolução.
Hoje os velhos caminhos ganharam
espaços, viraram ruas com os mesmos traçados, por onde se passa com os pés
limpos e secos. Chegar ao centro de Paranaguá, mesmo a pé, é apenas questão de
minutos; não há mais preocupação com horários para retornar à ilha pois se tem
acesso fácil aos meios de transportes. Aqueles tempos torturantes de espera
para se chegar ao território insular, ou vice-e-versa já é coisa do passado.
Agora a ilha tem ares de cidade, com movimento intenso de veículos e pessoas,
além de um comércio variado; os velhos tempos, só na lembrança...
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