domingo, 13 de julho de 2025

 

Os Velhos Tempos só

na Lembrança

Clarício de Araújo

Parece que foi ontem que eu pisei na terra da Ilha dos Valadares, mas lá se vão 65 anos. Cheguei aqui em um tempo inóspito. Hoje a ilha está transformada, quase irreconhecível dos tempos dantanhos, mas, sempre acolhedora. Me vi menino, correndo pelos caminhos que cortavam o seu território; as noites de breu, amedrontavam, pois “havia” fantasmas, bruxas voando, cavalo sem cabeça, saci-pererê...; atravessar o rio para alcançar a cidade era uma aventura, pois deste lado da cidade até o centro, levava-se muito tempo, enfrentando a correnteza, ora a favor, ora contra, sem contar que a distância era maior. 

Aqui vivenciei bons momentos ao lado de vários companheiros e familiares; nos bancos escolares do antigo Grupo Escolar aprendi as primeiras letras do alfabeto. Me envolvi nas atividades religiosas na denominação católica, além de integrar os quadros de três entidades associativas.  Aqui dei os primeiros passos para o jornalismo, ainda que fossem tímidos, mas já anunciando o desejo de integrar o mundo das comunicações.  E agora nos meus 71 anos de vida e 65 anos na ilha, ainda me sinto disposto a continuar dando um pouco de mim para a sua evolução.

Hoje os velhos caminhos ganharam espaços, viraram ruas com os mesmos traçados, por onde se passa com os pés limpos e secos. Chegar ao centro de Paranaguá, mesmo a pé, é apenas questão de minutos; não há mais preocupação com horários para retornar à ilha pois se tem acesso fácil aos meios de transportes. Aqueles tempos torturantes de espera para se chegar ao território insular, ou vice-e-versa já é coisa do passado. Agora a ilha tem ares de cidade, com movimento intenso de veículos e pessoas, além de um comércio variado; os velhos tempos, só na lembrança...

 

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