A “CULTURA
DO DESCARTE”
Clarício
de Araújo
A “cultura do descarte” é algo que infelizmente predomina em
nossa sociedade, fazendo com que pessoas idosas, crianças e pobres sejam marginalizadas
ou esquecidas quando não são mais economicamente produtivas ou socialmente
úteis. Essa infeliz ideia permeia nas empresas e por incrível que possa
parecer, também nas comunidades de fé; o idoso é visto como alguém que está
incapacitado para alguma função ou cargo, quando na verdade, a maioria, ainda
pode contribuir com sua atividade para o desenvolvimento de uma tarefa.
É muito triste ver alguém na idade madura ser deixado de lado
até mesmo para os trabalhos mais simples ou não ser convocado para algum posto
ou outra ação. Simplesmente é ignorado pelo fato equivocado de que não poderá
figurar no “quadro” dos que estão em evidência (na empresa ou comunidade de fé)
ou que se sobressaem à frente dos propósitos das referidas entidades. No caso
da comunidade de fé, os idosos não são convidados a serem padrinhos ou
madrinhas ou testemunhas em atos específicos pelo fato de serem “velhos”.
O saudoso Para Francisco denunciava esta cultura, apelando
para a inclusão, o cuidado e a fraternidade em vez de descartar pessoas,
especialmente os mais vulneráveis e marginalizados. A Igreja diz que esta
cultura é uma ameaça à dignidade humana e à vida, onde as pessoas são consideradas
descartáveis por não serem consideradas úteis ou lucrativas. Pelo contrário, a
Igreja promove a cultura da inclusão, que visa unir, criar e fortalecer os
laços de pertencimento à sociedade.
Eu, no alto dos meus 71 anos a completar no próximo mês, me
sinto apto para algumas funções que venho exercendo no campo profissional;
entendo que certas atividades são limitadas mas não impeditivas para a sua
execução e isso eu faço com plenas forças sem ultrapassar os limites da minha
condição.
08/06/2025
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